terça-feira, 18 de abril de 2017

Queimados reativa espaço cultural nesta quinta em homenagem ao centenário do escritor Antônio Fraga

Exposição de fotos, peças teatrais e documentário vão marcar reinauguração de local que vai homenagear centenário de vida do escritor Antônio Fraga

Dine Estela: O Espaço Cultural professor Antônio Fraga, localizado no saguão da Secretaria Municipal de Educação de Queimados (Praça dos Eucaliptos - Centro), será reinaugurado nesta quinta-feira, 20, a partir das 18h, com uma vasta programação em homenagem ao centenário do seu patrono. O evento irá contar com apresentação de um curta-metragem sobre a vida e obra do escritor  e reunirá depoimentos de quem conheceu o escritor que viveu na cidade dos 30 até falecer aos 77 anos de idade, dramatização teatral dos alunos da E.M. Washington Manoel e um recital tudo regado a um chá com bolachas, lanche preferido do escritor.

Antônio Fraga já escreveu mais de 100 textos, entre crônicas, versos e poemas, dois livros e sete novelas. Ele faleceu em 1993 e no ano passado completaria 100 anos de vida. A iniciativa é das Secretarias Municipais de Educação e de Cultura.

Segundo o secretário de Educação de Queimados, o professor Lenine Lemos, o resgate da memória cultural da cidade faz parte do programa pedagógico de sua gestão. “Fraga contribuiu muito para a cultura da cidade, nos trouxe textos memoráveis e que precisam ser de conhecimento de todos, principalmente dos nossos estudantes. Através deste espaço, vamos levar o trabalho dele para dentro das escolas e para toda a cidade. Por isto, eu e o secretário de cultura, Marcelo Lessa resolvemos realizar este projeto", destacou Lenine sem deixar de citar a frase preferida do homenageado: “Se a humanidade não toma conhecimento de uma obra, pior para a humanidade.”



De referência literária ao exílio em Queimados

Nascido em 1916 no Rio de Janeiro, casado com a atriz Tereza Rivera e pai de cinco filhos, Fraga não tinha uma profissão, mas fazia de tudo um pouco, foi agricultor, lanterninha de cinema dono de pensão e até vendedor de siri no mangue. Mas também foi romancista, poeta, tradutor e pintor. Sua experiência de vida lhe forneceu material para conhecer e registrar o linguajar do povo, já que viveu às margens da sociedade e no cerne da mesma.

Antônio Fraga viveu entre prostitutas no Mangue, no Rio, principalmente na famosa Lapa, participou da Revolução Constitucionalista de 1932, como soldado, fez amizades com meio mundo, de Vinicius à Drummond, passando por Pancetti, Djanira e Mário Pedrosa. Mas o que parecia ser um homem fracassado ou, pior, um escritor destinado a ser lembrado sempre como marginal ou maldito revelou-se um  eterno notável, como a maioria dos ícones da humanidade.

Aclamado por grandes nomes da literatura brasileira como Oswald de Andrade e Zuenir Ventura, Antônio Fraga escreveu dois livros. Em 1942, a novela Desabrigo de sua autoria, tornou-se uma referência literária pela sua originalidade e força. Outros trabalhos de destaque da carreira foram o poema dramático Moinho (1957), além de alguns contos, crônicas, ensaios e muitos trabalhos inéditos: uns concluídos, outros inacabados – todos desordenados, espalhados em papéis avulsos pelo improvisado escritório em Queimados, na Baixada Fluminense, para onde migrou nos anos 60 e ficou em estado de exílio até sua morte em 1993, aos 77 anos.

Ele morreu ao lado de sua esposa por problemas do coração.  Foram resgatadas seis novelas: Acalanto e Louva-Deus, mais cinco inéditas: O gato no ar, Estofo dos sonhos, Crepuscular, O galante do Jacaré e Mensageiro da noite, além de  cerca de 100 poemas. Todo este acervo foi doado pela família para a Casa Rui Barbosa.


3 comentários:

  1. Fraga foi meu vizinho quando eu ainda era uma criança... Só bem mais tarde fui entender que morava ao lado de um gigante da literatura brasileira, o introdutor da gíria carioca! Grande Fraga! Mas, temos um filho do Fraga genial, morando em nossa cidade o Renato Manga!

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  2. ESPETACULAR!!!
    Uma homenagem verdadeiramente merecida!
    Um grande intelectual com uma generosidade acima do normal, estava sempre pronto a debater qualquer assunto, até mesmo com os adolescentes, como eu, que chegavam e passavam horas ouvindo suas histórias e teorias sem fim.
    Parabéns, Lenine, parabéns Lessa, parabéns a todos os envolvidos nessa bela homenagem.

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